Com um simples microfone ele comandava um grande espetáculo durante cerca de 5 dias ou mais. Não gritava, não usava jargões baratos. Simplesmente falava com a alma, com uma tranquilidade que fazia os parques de exposição no Brasil se renderem ao seu talento diferenciado para comandar as cerimônias oficiais de abertura, apresentação das autoridades, leilões e julgamento de concursos de raças.

A intimidade de Moacyr Figueira na comunicação em Exposições Agropecuárias não vinha apenas de sua identidade camponesa. Ele tinha formação em Medicina Veterinária, por isso, sabia comunicar-se tão bem nesse meio.
Sua formação militar lhe emprestava a tônica certa para um cerimonial bem ordenado, na sequencia e no tempo certo de cada um falar. Sua paixão pela comunicação, vinda do Rádio, emprestavam-lhe um timbre grave absoluto, sem forçar uma impostação de voz que fosse artificial.

Com esse e outros atributos, o “Tio” como gostava de ser tratado por amigos e desconhecidos de todas as idades, viajava o Brasil (e até alguns países do Mercosul) durante todo o ano para fazer a sua atividade favorita: o cerimonial das exposições agropecuárias. Sim, ele não era apenas um locutor de exposições. Eram várias exposições ao longo do ano.

Era um “Mestre de Cerimônias” e nesse campo, conhecia como ninguém todo o percurso que deveriam seguir os atos oficiais do evento, sendo importante também para orientar autoridades e expositores menos afeitos aos ritos cerimoniais que dão o tom oficial e majestoso de uma festa de exposição.

Quando Itapetinga realizou a 40ª Exposição Agropecuária, eu passeava pelo Parque Juvino Oliveira procurando um tema para fazer uma crônica que seria publicada no Jornal Dimensão, com a devida acolhida da redatora Eliene Portella Portellinha. Encontrei na voz do tio Moacyr Figueira um tema importante. Escrevi com a paixão de um admirador que não tinha aproximação com o dono da “voz das exposições”. alguns dias depois, ele recebeu a matéria do Jornal e deixou um CD de mensagens e um recado afetuoso, cheio de gratidão. No ano seguinte, convidou-me com a família, para um churrasco, num domingo de Exposição. Tive oportunidade de ouvir suas histórias e folhear um álbum que carregava retratos e recortes de sua longa caminhada profissional. Falou do orgulho de suas filhas e mostrou algumas copias do texto que eu havia escrito. Ele distribuía com as pessoas e falava “Veja aqui o que o meu sobrinho Nilton Cirqueira escreveu sobre mim. Foi a maior homenagem que eu recebi em Itapetinga, nestes 40 anos”.

De um simples texto de um pretenso escritor, surgiu uma aproximação e uma admiração que se fez reciproca.
Agora, ao silenciar-se, SUA MAJESTADE A VOZ, deixa um legado e uma dedicação marcada pela serenidade e competência e muita longevidade.

As exposições vão continuar. Que sejam bonitas, alegres e bem sucedidas para todos os envolvidos. Mas vai faltar aquela voz, aquele locutor, aquele carisma a quem chamamos orgulhosamente MOACYR FIGUEIRA, o Tio!

Um silêncio!

p.s.
Retornei ontem de Itarantim, em luto pelo falecimento do meu irmão mais velho, Elenildo Cirqueira, meu primeiro professor, com 45 anos de dedicação pela educação naquela cidade. A saudade é imensa, mas dou graças a Deus pelos exemplos de vida e de dedicação que nos deixaram.

 

Fonte: Por Nilton Cirqueira(Cineasta).

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