Ao longo de quatro Ba-Vis, o clima entre torcidas, jogadores e dirigentes oscilou bastante. Se até a última quarta-feira, 3, a atmosfera era de exaltação, graças à pressão do Bahia, agora, graças ao Vitória, é de gozação.

Logo depois do empate de 1 a 1 na quarta passada, que marcou o jogo de ida da final do Campeonato Baiano, o Vitória lançou uma promoção curiosa para os torcedores lotarem o Barradão no domingo, 7.

Isso, por si só, não é novidade – o próprio Bahia lançou mão de preços promocionais para encher a Fonte Nova na final da Copa do Nordeste, no domingo passado.

Mas o que mudou foi a estratégia. Enquanto o Bahia inflamou a torcida para comparecer a uma ‘guerra em campo’, o Vitória optou pela provocação ‘meio velada’. Para pagar mais barato, o torcedor rubro-negro tinha que levar uma lata de alimento no ato da compra do ingresso.

Pelo tom do comunicado oficial do Rubro-Negro, que dizia que “domingo é dia de baiano comer moqueca” e usava a hashtag #DomingoÉDiaDePesca, conclui-se que essa lata era de um alimento bem específico: a sardinha, ‘apelido’ pejorativo do Tricolor.

Via assessoria de imprensa, o clube argumentou que a intenção provocativa da promoção está implícita. O Vitória ainda informou que “muitos torcedores contribuíram com as latinhas de alimento, até mais de uma por torcedor”, mas não divulgou imagens.

De acordo com o clube, os 3.500 ingressos da ação foram esgotados ainda nesta quinta, 4.

Repercussão

Mas nem todo mundo gostou dessa iniciativa, que dividiu até mesmo os rubro-negros. Alguns comentaram nos perfis oficiais do Vitória nas redes sociais e disseram se sentir incomodados com a brincadeira, afinal, ela só poderia acontecer uma vez ganho o campeonato – como fez o Bahia com as provocações na Fonte Nova após eliminar o Vitória, no último domingo.

“É melhor ter mais respeito! Provocações são para torcedores e não para redes oficiais do clube”, disse a rubro-negra Carolina Peixoto. “Também acho que provocação é pra depois de ganhar o jogo!”, acrescentou Rozinery Santos.

Mas teve quem curtisse a ideia e achasse a iniciativa inteligente, como a torcedora Maria Murici. “Marketing com inteligência e sem incitação à violência”, definiu.

No geral, a torcida do Bahia encarou a brincadeira como uma provocação sadia, e devolveu com mais gozação. “Informações dão conta de que o Vice irá revender as latas de sardinhas para pagar contas de energia que estão em atraso e assim evitar ‘apagões‘”, alfinetou o perfil Bahêa Notícias no Twitter, fazendo alusão à falta de luz no estádio já ocorrida duas vezes em 2017.

O vice-presidente do Bahia, Pedro Henriques, comentou a ação, mas disse que o Bahia não se sente “intimidado” pela iniciativa. E lembrou que as brincadeiras do Bahia foram feitas somente depois do jogo ter terminado. “Para a gente ser intimidado será preciso mais do que qualquer ‘climinha’ que estão tentando criar. Na Copa do Nordeste a gente criou um ambiente de caldeirão, hostil para o adversário, e eles, sim, se intimidaram. Mandaram ofício e tudo”, disparou.

“Toda provocação, brincadeira, é válida. No caso da Copa do Nordeste o Bahia guardou para depois da classificação. Apagou a luz e colocou vídeo no telão. Mas é a estratégia de cada um. A gente não se intimida e vai pra lá para buscar o título”, disse.

 

A Tarde Online.

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